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A Caixa Crédito Agrícola Mútuo

do Vale do Dão e Alto Vouga

divulgou 8ª edição

do Programa CA Nota 20


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

ASEFClassNet19

ASEFClassNet19 “Inteligência Artificial na educação: colocar a autonomia e a dimensão humana no centro”

Quem deve decidir de que forma a Inteligência Artificial transforma o ensino e a aprendizagem? Esta foi a questão central da 19.ª Conferência ASEF ClassNet, que decorreu em Innsbruck, na Áustria, entre 21 e 25 de setembro de 2026, sob o tema "Future-Ready Teaching: Human Agency in the Age of AI".

O encontro reuniu mais de 70 professores e responsáveis pela educação, provenientes de mais de 30 países da Ásia e da Europa. Ao longo de cinco dias, foram partilhadas experiências, discutidos desafios e apresentadas 16 práticas pedagógicas inovadoras (Innovative Teaching Practices), concebidas por equipas internacionais e experimentadas nas suas escolas.

A minha participação teve uma dimensão particular: fui mentora da equipa Mosaic Minds, constituída por professores de Itália, Vietname, Tailândia e Bulgária. Acompanhei o grupo na conceção e preparação da prática pedagógica "Student Well-being in the AI Age: Reconnecting with Nature", selecionada para apresentação na conferência.

Destinada a alunos dos 15 aos 17 anos, esta proposta procura promover o bem-estar através de uma reflexão sobre os hábitos digitais, as relações interpessoais e o contacto com a natureza. Entre as atividades desenvolvidas, os alunos entrevistam familiares de gerações anteriores, comparam experiências e identificam estratégias para alcançar um maior equilíbrio entre a vida digital e as atividades fora dos ecrãs. A Inteligência Artificial pode apoiar a organização das ideias e o aperfeiçoamento linguístico, mas cabe aos alunos formular as suas próprias propostas e decidir que sugestões aceitam, modificam ou rejeitam.

A experiência de mentoria foi particularmente enriquecedora pela oportunidade de acompanhar a colaboração entre professores de diferentes países e realidades educativas. A construção de uma proposta comum exigiu diálogo, negociação e integração de perspetivas diversas.

Um dos temas que mais marcou a conferência foi o cognitive offloading, ou seja, a delegação de processos e esforços cognitivos em ferramentas tecnológicas. A possibilidade de realizar tarefas com maior rapidez não significa necessariamente que se esteja a aprender mais. Quando a tecnologia substitui o esforço de pensar, recordar, formular ideias ou resolver problemas, os alunos podem perder oportunidades importantes de desenvolver as suas capacidades.

Esta preocupação encontra eco em investigação recente. O estudo "Your Brain on ChatGPT", desenvolvido por investigadores do MIT Media Lab e publicado em 2025, analisou a atividade cerebral e o desempenho de participantes numa tarefa de escrita de ensaios, comparando a utilização de um chatbot, de um motor de busca e a realização da tarefa sem ferramentas digitais. Os resultados apontaram para diferenças no envolvimento cognitivo entre os grupos, levantando questões sobre os possíveis custos de uma dependência excessiva da IA. Sendo um estudo preliminar, com uma amostra reduzida e uma tarefa específica, os resultados devem ser interpretados com prudência.

Também os resultados do PISA 2025, publicados pela OCDE em 2026, oferecem dados relevantes. A relação entre a utilização de chatbots e o desempenho dos alunos varia consoante a finalidade: os alunos que recorrem à IA para tarefas específicas, como resumir textos ou redigir trabalhos, tendem a apresentar resultados inferiores aos dos que não a utilizam para essas tarefas. Já a utilização semanal da IA como apoio geral à aprendizagem está associada, em média, a resultados semelhantes aos dos alunos que não recorrem a estas ferramentas. A OCDE destaca ainda a importância de ensinar os alunos a avaliar criticamente a qualidade da informação produzida pela IA.

Esta reflexão reforçou uma questão que considero essencial no ensino: o que devemos deixar a Inteligência Artificial fazer por nós e o que precisamos de preservar para os alunos? A pedagogia deve estar sempre em primeiro lugar. A tecnologia pode apoiar a aprendizagem, mas não deve substituir o pensamento, a criatividade, a interação e a capacidade de decisão.

Estas ideias tiveram continuidade no ASEF ClassNet EmpowerEd 2026, para o qual fui convidada, em agosto, a conceber e dinamizar o programa internacional "Language Learning Reimagined: AI in Practice". Organizado em cinco sessões online, o programa reuniu professores de línguas da Ásia e da Europa para explorar formas de integrar a Inteligência Artificial nas atividades de aprendizagem, mantendo os alunos no centro do processo.

A participação na conferência permitiu-me aprofundar referências e abordagens que integrei nas sessões seguintes, nomeadamente as propostas Traffic Light e Roundabout. O trabalho desenvolvido com os professores partiu sempre dos objetivos de aprendizagem e daquilo que se espera que os alunos sejam capazes de fazer autonomamente, analisando depois de que forma a IA pode apoiar esse processo.

No contexto nacional, estas questões ganharam também relevância com a discussão pública das orientações para a utilização da Inteligência Artificial na educação, entre 15 de outubro e 15 de novembro de 2026. A consulta contribuiu para alargar o debate sobre a utilização responsável destas ferramentas, a proteção de dados, a integridade académica e o papel dos professores.

Pretendo partilhar, num futuro próximo, a experiência e os recursos desenvolvidos com os docentes do Agrupamento, através de uma ação de disseminação e capacitação, promovendo a reflexão conjunta sobre os desafios e as oportunidades da Inteligência Artificial na educação.

Agradeço à organização ASEF ClassNet, em particular à Jyoti Zerupa, à Angie Toh e à Reka Tózsa, pelo profissionalismo e cuidado na organização da conferência; ao Patrick e à equipa da PH Tirol, bem como aos professores que nos receberam nas suas escolas. 

Deixo também um agradecimento à Diretora do Agrupamento de Escolas de Sátão, pela confiança e pelo apoio à minha participação nestas iniciativas, valorizando a formação contínua e o desenvolvimento profissional dos docentes.

A conferência reforçou a minha convicção de que a inovação educativa não depende apenas das ferramentas que utilizamos, mas sobretudo das decisões pedagógicas que tomamos. A Inteligência Artificial abre novas possibilidades, mas o essencial é garantir que os alunos continuam a pensar, a criar, a questionar e a decidir, mantendo a dimensão humana no centro da educação.

 

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